Cantinho do leitor #3

Mas nunca fui bom com as palavras, nunca as usei para descrever sentimento. Nunca usei verbos, substantivos e o pronome pessoal "nós" para qualificar eu e você. Eu nunca soube definir muito bem o que se passa entre a gente. Não sei se é sorriso, raiva ou tristeza. Nunca busquei recursos que falassem de amor, de paixão, de frio na barriga. Nunca tive curiosidade bastante para beijar alguém. Não foi por coragem. Nem por atração. Se passo despercebido e você não me vê, a culpa não é minha. Se eu passo querendo sumir da sua frente, a culpa é minha. Não estou preparando para um sentimento, por uma afeição ou vontade. Mas estou ligado por um fio. Ele derrama dos seus olhos, me persegue durante a noite. Seu rosto deixa claro o teto do meu quarto. Construo frequentemente cenas, ideias, artifícios com você. Me perdoe se nunca fiz questão que você falasse comigo.

Não me julgue insensato se quase sempre te persigo no corredor. Não me olhe com olhos medrosos se eu sei a idade da sua melhor amiga, se eu sei em que hospital você nasceu, desculpa se eu sei de coisas que você só conta para si, num diário. Desculpa, se todas as vezes que você dorme eu tenho invadido se quarto, lido seu diário e ficasse olhando para você dormir. Desculpa se quase sempre saí antes de o sol se pôr. Não fiz por mal, com minha cara de cansando todas as vezes que você me viu. Enquanto você recebe noite de sonhos, fico de olhos abertos para você. Foi sem querer, ter a voz rouca e quando cantar uma música para você, ela sair desajeitada e desafinada. Não vou negar que estou quase reprovado, se em todas as folhas do meu caderno tem seu rosto desenhado, tem você e eu, para ser claro. Mas por favor não fique com raiva, vou conseguir um emprego qualquer e guardar dinheiro para um dia a gente fugir e se amar. Desculpa aí, se sou um eterno apaixonado. 


Texto feito por Igor Thiago 



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