Felicidade clandestina de Clarice Lispector

Título: Felicidade clandestina
                      Autora: Clarice Lispector                    
Ano: 1998
Editora: Rocco
Páginas: 160
Skoob: Adicione

Sinopse: Caracterizada sempre como uma poeta desprendida, Clarice Lispector é muitas vezes entendida como escritora do cotidiano tedioso. Ao insinuarmos que alguém é “Lispector”, subtendemos que a pessoa disse o que estava claro, o que não era necessário enfatizar. Nessa obra, porém, a autora nos mostra pequenas partes de momentos preciosos, que ocorreram numa infância simples e pobre, mas nem por isso infeliz. Nos vinte e cinco contos temos personagens alegres e sorridentes, sempre lidando com o inevitável e o corriqueiro.

     De todos os escritores e escritoras brasileiros, talvez a mais cativante seja Clarice Lispector. Com uma linguagem simples que endeusa o cotidiano, a autora mostra pequenos pontos que nos levam a reflexão. Em “felicidade clandestina”, somos convidados a perceber pequenos detalhes, que emocionam e ensinam.
    No primeiro conto, cujo título batiza a obra, Lispector demonstra como as crianças vivem seu mundo paralelo. Com seus juízes, vilões, anjos, princesas e dragões, os pequenos aprendem em brincadeiras um futuro parecido. Nesse texto temos a personagem de Clarice criança, que se encontra na posição de garota bonita. E sua colega de escola, que se caracteriza como a vilã. A intriga de crianças nos leva a refletir como solucionamos nossos problemas: sem uma autoridade maior para apascentar, é possível que cedamos a intriga e a “criancice”?

“ E eu então, mulherzinha de 8 anos, considerei pelo resto da noite
que enfim alguém me havia reconhecido: eu era, sim, uma rosa. ”
(Restos de carnaval, Clarice Lispector)

    Outro texto muito simples, mas igualmente valoroso, é “restos de carnaval”. Nas poucas páginas do texto, o leitor retorna a uma Recife antiga e perdida pelo tempo. Longe de toda e qualquer exposição, com seus gigantes bonecos de Olinda e fantasias, a capital do Pernambuco era a casa da personagem Lispector criança. 
Lá morava com sua família, e sua amada mãe padecia de uma doença que carecia de atenção e todas as economias. Uma vez por ano, como que se Deus lhe abençoasse com alegria e paz de espírito, Clarice saia pelas ruas a cantarolar e dançar. Era carnaval! Era preciso celebrar! Lamentavelmente num determinado carnaval, sua mãe piora muito. Despida de todo o incentivo, a criança desiste e vira adulta. Contava então oito anos.
    A dura forma com que Clarice Lispector leva o leitor a refletir a tristeza, o faz ser grato pela sua alegria. Por mais infeliz que uma criança seja, poucas tristezas se equiparam a ver a mãe sofrer. Tal experiência demanda maturidade, e causa muita dor. 
    Em frente a tantas demonstrações alegres, narrativas tristes, sabedoria dosada e linguagem fácil, o livro é uma ótima escolha, para quem quer que seja. Vale a pena se abrir e ponderar olhando para o céu. Pois como diz a autora: “o desconhecido é sempre azul”.
Nota:
Crédito da Imagem: Cheirando Livros

4 comentários:

  1. Que resenha legal! Ainda não tive o prazer de ler esse livro, mas vou assim que possível!

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  2. Oie

    Maravilhoso!!
    Eu sou apaixonada por Clarice, por sua escrita e sempre me encanto. Clarice sempre mexe com minhas emoções e esse livro foi um dos meus favoritos.
    Gostei muito de ver a resenha dele aqui, muito bem feita por sinal. Parabéns!!

    bjs
    Fernanda Y.

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  3. Oi Paac, tudo bem? Já tinha ouvido falar desse livro, mas nunca parei para ler. Acho linda a escrita da Clarice. Dica anotada, espero conseguir ler em breve. Beijos

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  4. Nunca li nenhuma obra da Clarice, tenho essa vontade porém não me sinto animada, lendo sua resenha vejo que ele e bem reflexivo.

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