Último Turno de Stephen King


Livro: Último Turno
Autor: Stephen King
Série: Bill Hodges
Editora: Suma de Letras
Páginas: 384



Sinopse: Brady Hartsfield, o diabólico Assassino do Mercedes, está há cinco anos em estado vegetativo em uma clínica de traumatismo cerebral. Segundo os médicos, qualquer coisa perto de uma recuperação completa é improvável. Mas sob o olhar fixo e a imobilidade, Brady está acordado, e possui agora poderes capazes de criar o caos sem que sequer precise deixar a cama de hospital. O detetive aposentado Bill Hodges agora trabalha em uma agência de investigação com Holly Gibney, a mulher que desferiu o golpe em Brady. Quando os dois são chamados a uma cena de suicídio que tem ligação com o Massacre do Mercedes, logo se veem envolvidos no que pode ser seu caso mais perigoso até então. Brady está de volta e, desta vez, não planeja se vingar apenas de seus inimigos, mas atingir toda uma cidade.
Em Último turno, Stephen King leva a trilogia a uma conclusão sublime e aterrorizante, combinando a narrativa policial de Mr. Mercedes e Achados e perdidos com o suspense sobrenatural que é sua marca registrada. 






   Sabe aquela ‘’maldição’’ das trilogias, séries e etc? Então, sinto informar, mas nem o rei se livra dela...

   Bill Hodges em companhia de Holly Gibney (sua parceira na Achados & Perdidos, empresa de investigação em que são sócios) começam a investigar um suicídio um tanto curioso envolvendo uma vítima de Brady Hartsfieldvulgo assassino do Mercedes, que matou e feriu muitas pessoas a anos atrás. A vítima, Martina Stover, morava com a mãe e foi morta pela mesma, que logo em seguida se suicidou, mas estranhamente não houve um bilhete de despedida ou de desculpas pelo que fez, apenas um Z, escrito na mesinha do banheiro. Mas não somente os detalhes não se encaixam nesse suposto suicídio, como Bill tem absoluta certeza que Brady está envolvido, mas não haveria como, já que supostamente O Assassino do Mercedes está em estado vegetativo. Senão bastasse tudo isso Hodges começa a sentir o peso da idade e as consequências de seus descuidados consigo mesmo durante muito tempo.



   Realmente iniciei essa leitura esperando muito, a mais cheia de expectativas possíveis, já que as  obras anteriores supriram bem todo o meu anseio pelos livros do Rei, mas a queda dessas expectativas foram morrendo aos poucos e chegou ao ponto em que King desandou com tudo e ao meu ver estragou um pouco uma trilogia que tinha tudo pra ser fechada de forma esplêndida. Fiquei perdida em mais da metade da leitura porquê de um suspense investigativo, algo mais na linha policial, ele pulou de forma abrupta para o sobrenatural pra dar certa explicação ao que acontecia ou talvez pra poder reinserir o seu maior vilão da trilogia. Mas pra mim foi um tiro certeiro no pé, a história em um contexto geral pela forma que conhecemos desde o primeiro livro ficou sem pé nem cabeça e a reviravolta na verdade foi a introdução de um elemento não cabível a história, o sobrenatural. 

  King se mostrou menos versátil e partiu para forma fácil de escrever, mais ao seu estilo e menos arriscado, e talvez isso tenha sido o maior problema da obra. Outro ponto negativo na obra foi o desenvolvimento de Bill nesse último livro, Bill passou de policial fodão a um simples senhor de idade que até mesmo ao custo de sua vida, iria atrás de Brady apenas pelo prazer de finalmente fazer justiça, da forma que não conseguiu anteriormente. Senti que faltou mais ênfase nele e na sua linha de pensamento investigativo.



  Mas bem sabemos que quando se trata do autor nem tudo é perdido, apesar do elemento sobrenatural inserido sem sentido algum na obra, assumo que King escreve com maestria dentro das possibilidades do gênero, o que pode ser positivo dependendo das expectativas que você leitor tem em relação a obra e logicamente a escrita do autor. Achei instigante também a forma como o assunto suicídio foi introduzido na obra, não somente pela ótica de um sociopata que tinha prazer nisso, mas também no ponto de vista das vítimas dele, ler seus pensamentos e motivações, faz o leitor sentir o peso dessa sensação de desejar a morte por dores muitas vezes causadas por motivos externos a essas pessoas, e vinculados normalmente aos preconceitos e marginalizações sociais.

   De um modo geral a obra não é de todo mal, poderia ser melhor? Logicamente! Mas não julgo o autor por recuar e acrescentar um gênero com que esteja mais familiarizado. Se continuasse na mesma linha de pensamento dos livros anteriores poderia ter feito um fechamento digno de sua fama, mas infelizmente tivemos uma obra que ao final da trilogia caiu na maldição e perdeu a essência inicial.
Nota:









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