Semana das Minas: Entrevista da Reflexão!

Heey como vão?
A #SemanadasMinas Já está perto de acabar e não seria uma semana linda, feminina e sinonimo de empoderamento senão tivermos um pouco da opinião de autoras nacionais pra acrescentar mais conteúdo a vocês leitores e também a nós blogueiros. Eu conversei com a Claudia Lemes e a Lilian Farias, fiz apenas 4 perguntinhas a cada uma delas, e a temática dessa mini entrevista foi a experiência delas e a opinião sobre o mundo editorial em relação as autoras.

Cláudia Lemes


  • Como foi pra você publicar um livro num meio que é em sua maioria, masculino?
A parte da publicação em si não foi um problema. O mercado aceita mulheres com braços abertos para dramas, chick-lit, eróticos... mas claro, é mais fechado quando uma mulher escreve terror, policial e suspense. Geralmente para negar essa teoria, as pessoas gostam de dar exemplos de autoras desses gêneros que foram bem sucedidas, claro. Mas a maioria é lá de fora, e no Brasil são exceções. As pessoas precisam entender que exceções geralmente servem para confirmar a regra. Um bom exemplo é da autora americana que enviou seu original para vários agentes literários, metade com um pseudônimo masculino e metade com o nome real dela. Além de receber o dobro de respostas como "homem", o tipo de resposta era diferente. Ou seja, mais elaboradas, elogiosas, etc. é uma pesquisa definitiva? Claro que não. Mas já é um bom indicativo de que esses preconceitos literários e o machismo ainda têm impacto no mercado editorial. No meu caso, comecei como autora independente, 80% do meu público era feminino. E foi esse o público que me deu visibilidade o suficiente para chamar atenção de uma editora composta de pessoas muito cabeça aberta e esclarecidas, então nesse aspecto (de conseguir a publicação), eu, particularmente, não sofri preconceito.

  • Você já recebeu críticas por trabalhar com o ponto de vista de um personagem masculino?
Não, nunca! Pelo contrário, meus personagens do sexo masculino são muito elogiados. Para mim não é muito difícil escrever sobre homens.

  • Acha que o mundo editorial desvaloriza as autoras?
Tenho percebido que a crítica é mais severa com mulheres escrevendo livros de gêneros que não são "território feminino". Tenho observado que mulheres e homens resenham e criticam livros de autoras (principalmente as novatas, principalmente as nacionais) de um jeito mais exigente. Isso é observação pessoal e não verdade absoluta, mas se estende para livros de muitas, muitas autoras. Gillian Flynn, autora de Garota Exemplar, falou sobre isso uma vez, sobre como as pessoas criticavam suas personagens femininas por não serem "boazinhas". Não estou falando aqui sobre vilãs, e sim protagonistas que ao menor sinal de fraqueza ou sexualidade ou independência, recebiam atenção negativa dos críticos. Numa esfera pessoal, passei por algo bem parecido com Eu Vejo Kate. Ela é uma personagem que foi dilacerada pela sociedade, e claro, age de acordo. O que eu li em alguns blogs foi que "não consegui sentir empatia pela Kate", porque ela não age como as mocinhas clássicas, mesmo o motivo sendo muito bem explicado. Até aí, OK, mas a problemática acontece quando o mocinho do livro, que age muitas vezes de forma mais irresponsável, foi considerado um "herói" e até "sonho de consumo" de muitas mulheres. Então a pergunta fica: Estamos considerando homens apenas "humanos" pelas suas falhas e descrevendo essas falhas como "fraquezas" quando se manifestam em personagens femininas? Ainda estamos presos à imagem da mocinha clássica? Como já disse, não sou dona da verdade, mas observo isso nos blogs que acompanho e nas conversas com autoras. Sei que pode parecer aqui que estou apenas reclamando de críticas, então vou deixar bem claro: adoro blogs e devo muito a eles. Sou totalmente "OK" com críticas, acho-as importantíssimas. E graças a Deus meus livros têm recebido pouquíssimas críticas. Mas quero fazer esse alerta porque ele afeta todas nós. Escrevi um livro com conteúdo violento fortíssimo e nenhuma das poucas críticas feitas foram com base em técnica, apenas na presença de uma extensa cena de sexo e do romance entre duas personagens. Me desconcertou que o sexo no livro chocou mais do que o estupro. Me deixou preocupada que a presença daquela cena de sexo perturbou as pessoas a ponto de muitas questionarem sua "necessidade". Escrevo literatura de entretenimento para adultos, ou seja, não preciso justificar nada. Escrevi sobre abuso sexual do ponto de vista da vítima e do agressor e coloquei o sexo consensual como contraste justamente para mostrar as diferenças entre os dois atos na psiquê feminina. O sexo era extremamente necessário, mas não, não precisava ser.  Até aqui pode parecer "mimimi". Então pergunto: É comum criticarem George Martin pelo sexo lésbico de Daenerys e o de Cersei nas crônicas de Gelo e Fogo? Não tinham muita necessidade nos livros. Alguém questionou a necessidade da orgia em IT, do King ou de um capítulo inteiro de O Poderoso Chefão que fala várias vezes sobre o tamanho descomunal do pênis de Sonny Corleone apenas como aperitivo para uma cena de sexo descritiva logo no começo do livro? Não, e está certo, ninguém tem que justificar sexo num livro para adultos. Sexo faz parte da vida. Mas então por que mulheres precisam de um "bom motivo" para incluí-lo numa história? Outras autoras, inclusive algumas americanas, já desabafaram em entrevistas sobre o mesmo tipo de crítica. É algo para se pensar. Estamos cobrando homens e mulheres da mesma forma? Estamos sendo justos? Ou o homem precisa ser bom para ser considerado bom, enquanto a mulher escritora precisa ser excelente para ser considerada boa? Não tenho respostas, mas acho a questão válida.


  • Baseada nas suas experiências, que conselho daria as autoras nacionais, iniciantes e veteranas.
É um mercado cruel. Pior ainda com autores nacionais, ainda pior com mulheres. Meu conselho é que trabalhem na construção da imagem e em encontrar uma voz própria na escrita. Estudarem teoria literária, ler bons livros. Prestem atenção em contratos! Na ansiedade de sermos publicadas, a gente perde um pouco o discernimento e cai em armadilhas. Lembre-se que uma editora que não garante distribuição só vai vender seu livro online, e isso você mesma faz, enquanto em total controle da sua obra e com maiores ganhos! existem hoje formas de publicar como independente sem quase custo algum. guarde seus livros para editoras idôneas, lembrando-se que: se você paga uma editora para te publicar, você continua sendo um autor independente. Não digo isso de forma pejorativa, pelo contrário, comecei como independente e não hesitaria em voltar a ser independente se uma editora não estivesse alinhada com minhas metas profissionais. Então acho que, até uma editora estar disposta a investir em você, tenha MUITO cuidado com contratos. De um ponto de vista mais técnico, acho que minha maior dica é "não são palavras rebuscadas que tornam sua escrita boa". parece besta né? Mas muitos autores novatos acham que para escrever bem precisam rechear suas frases com palavras enormes e que não estão em uso há 200 anos. Isso tira o foco do leitor, muitas vezes, e ele sai da história quando se lembra que está lendo um livro. Seja um facilitador para a viagem dele. Entenda o que quer escrever e comprometa-se com isso. É alta literatura ou você só quer contar uma boa história? Como estruturá-la? Como criar personagens tridimensionais? Você só vai encontrar as respostas escrevendo muito e estudando. Frequente eventos literários, conheça pessoas, conheça blogueiros. Aprenda que nesse meio tem de TUDO; blogueiros cujas críticas vão te ajudar muito e blogueiros cujas críticas não são construtivas e apenas pessoais. Temos que aprender a lidar, o mercado não é para os fracos. E por último: não vejam outro autores como competição, como inimigos. Ajudem a divulgar autoras! Seja uma boa pessoa porque isso vai, a longo prazo, fazer uma grande diferença.

Lilian Farias


  • Acha que o mundo editorial desvaloriza as autoras? 
Apesar de alguns avanços consideráveis, vivemos numa sociedade machista e isso reflete em todas as esferas sociais, em todas as instituições de poder.
  •  Qual é a maior dificuldade pra mulher quando ela inicia no meio editorial?
Manter sua personalidade enquanto escritora, ser crítico e social.

  • Já vivenciou algum preconceito por ser mulher, no meio editorial?
Por ser mulher Nordestina, sim. Por ser mulher que escreve temática LGBT, sim. Por ser mulher Bi, sim. Por ser uma mulher transgressora, sim!

  • Baseada nas suas experiências, que conselho daria as autoras nacionais, iniciantes e veteranas.
Teimem.

Espero que tenham gostado da mini entrevista, conta ai nos comentários sua opinião sobre o assunto!





9 comentários:

  1. hahahahahah adorei <3
    Obrigada pelo espaço e apoio, Paac

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  2. Olá!
    Adoraria ter e ler "Eu Vejo Kate" percebo que é um livro muito aclamado e desejado pelos leitores. Adorei o conselho de Liliam, sou dessas. rsrsrs
    Boas respostas meninas!
    Parabéns pela matéria.
    Bjocas
    Ni
    Cia doLeitor

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  3. Olá Paac, adorei a entrevista com a amiga Lilian Farias.
    Parabéns pela publicação, fico feliz quando nós blogueiros damos espaço aos autores nacionais!
    Bjuss

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  4. Paac minha querida, que incrível essa sua postagem, fiquei feliz de ver que a Lilian foi uma das entrevistadas, tenho certo orgulho de suas opinião, linda postagem!
    Abraços

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  5. Olá,
    Pelo que percebi da entrevista, não é pelo fato de ser autor e sim pelo fato de ser mulher. O preconceito e tal. Acho uma pena isso acontecer.
    Gostei de conhecer mais sobre elas!

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  6. Olá! Amei as entrevistas e principalmente o último conselho: teimem! Temos grandes autoras e não é nenhum preconceito que vai derrubar tanto talento! Beijos!

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  7. Oie
    Mulheres que não sabem chorar é simplesmente maravilhoso, foi um livro que me fez refletir horrores, recomendo para todos. Estou louca para ler Eu vejo kate desde que lançou mas ainda não tive oportunidade

    beijos
    http://realityofbooks.blogspot.com.br/

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  8. Olá Paac, adorei essa semana especial e a entrevista, apesar de só 4 perguntinhas elas foram bem elaboradas *-* Ainda não li nada de nenhum das autoras, mas morro de vontade de ler os livros da duas <3

    Meu Mundo, Meu Estilo

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  9. Oi Paac,
    Muito importante essa entrevista que mostra o mercado literário pela visão de autoras nacionais. Podemos perceber que ainda há muita luta pela frente apesar de alguns avanços.
    Beijos, André
    Garotos Perdidos || Participe do sorteio da série Stage Dive no IG do canal

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